sexta-feira, 30 de setembro de 2011

BRILHANTE!

Devo começar confessando que, há muito tempo um livro não me surpreendia tanto como esse do qual pretendo escrever poucas palavras. Na verdade, não o livro por completo, mas um trecho em especial - que prometo citar no fim de minhas delongas.
Leitores, movida pela franqueza e respeito que nutro por vocês (não por você em especial que lê esse texto, mas para um "você" imaginário, que é necessário - afinal, um escrito sem um publico alvo não é possível, será? pois bem, eu sou o meu publico alvo e permito que leiam o texto que escrevi para o "eu " mesma) sou impulsionada a confessar também que andava desanimada com minhas leituras; essas, pouco instigantes,  nem reveladoras, enfim, nada que fizesse com que meus olhos *brilhassem. Acredito ser esse o motivo da minha ausência de produção (textos) relevante.
Porém, o que fez meus olhos saltarem do sono, não metafísico, mas da inércia intelectual - digamos que eu estava no ponto morto, foi um pequeno paragrafo de um filosofo moderno. Parece estranho, há tanto de Aristóteles aqui e me orgulho disso; No entanto, é com prazer que abro espaço para que o Sr. Descartes seja citado, aplaudido e louvado nesse blog.
A citação que se segue pode parecer mínima e insignificante, porém, tirou dos meus lábios a expressão: BRILHANTE, momento raro, afinal, cursar filosofia e ler textos indicados pelos professores é como ver, ao longe, um pé de jabuticaba e seguir a indicação de alguém que já comeu de seu fruto e afirma: " Vá em frente, as jabuticabas estão docinhas, aproveite!"; nesse caso, assim como nos textos filosóficos indicados por quem já os leu, você mesmo provará e depois poderá dizer se o saborear foi mesmo doce ou amargo, ou até mesmo indegustável.
Leitores, para mim, o saborear dessa citação foi muito degustante - quanto a vocês, provem e poderão dizer:


"Mas o que leva muitos a se persuadirem de que há dificuldade em conhecê-lo, e mesmo também em conhecer o que é sua alma, é o fato de nunca elevarem o espírito alem das coisas sensíveis e de estarem de tal modo acostumados a nada  considerar senão imaginando, que é uma forma de pensar particular às coisas materiais, que tudo quanto não é imaginável lhes parece não ser inteligível. E isto é assaz manifesto pelo fato de os próprios filósofos terem por máxima, nas escolas, que nada há no entendimento que não haja estado primeiramente nos sentidos, onde, todavia, é certo que as ideias de Deus e da alma jamais estiveram. E me parece que todos os que querem usar a imaginação para compreendê-las procedem do mesmo modo que se, para ouvir os sons ou sentir os odores, quisessem servir-se dos olhos; exceto com esta diferença ainda: que o sentido da vista não nos garante menos verdade de seus objetos dos que os do olfato ou da audição; ao passo que a nossa imaginação ou os nossos sentidos nunca poderiam assegurar-nos de qualquer coisa, se o nosso entendimento não interviesse." (DESCARTES, Discurso do Método)