terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Por que te abates, oh minha alma?






















 "Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face"Salmos 42:5



Ai minha alma! Cesse de andar a trancos e barrancos. Evite os excessos, se indisponha com caminhos alheios e desconhecidos. Retorne a sua paz, prossiga em veredas de luz.
Apegue-se a edificação, desvie o olhar dos passarinhos e das belas flores. Aquiete-se em lares simples, conversas brandas e em vozes mansas e diretas. Aparte-se das curvas e siga até a PEDRA ANGULAR, somente nela terás firmeza, logo, serás: perene, harmonia, equilíbrio, comunhão!


"Livra-me dos poços e dos becos de mim, Senhor" (Caio F.Abreu)

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Afagar de almas

Imagem: Dayane Ricci

O que dizer do que me cativa, sim, foram seus olhos
Distantes, confusos, incongruentes
Olhar de negação, desprendimento e inocência

Os corpos, esses se tocam por calor
só a alma se move pelo suspiro
Se engana quem pensa que o suspiro é corriqueiro,
é um fenômeno raro;

Vou descreve-lo: Os olhos tão maliciosos beliscam a alma do outro,
então, em resposta, ela suplica,  - caminhe em meu encontro;
em teimosia, os olhos permitem um voo de ternura e desejo,
- o recebemos com um frio agradável no ventre, o devolvemos com o suspiro.

Afagar de almas!


Comungando com Álvaro de Campos




(...) " Mas, enquanto não morro, falo e leio" (Fernando Pessoa)





               Sem mais!

sábado, 19 de janeiro de 2013

Sobre um possível desencanto

Créditos: Camila do Rosário
" A Lenta Flecha da beleza - A mais nobre espécie de beleza é aquela que não arrebata de vez, que não se vale de assaltos tempestuosos e embriagantes (uma beleza assim desperta facilmente o nojo), mas que lentamente se infiltra, que levamos conosco quase sem perceber e deparamos novamente num sonho, e que afinal, após ter longamente ocupado um lugar modesto em nosso coração, se apodera completamente de nós, enchendo-nos os olhos de lágrimas e o coração de ânsias. - O que ansiamos ao ver a beleza? Ser belos: imaginamos que haveria muita felicidade ligado a isso. - Mas isto é um erro. (Aforismo 149 de Humano Demasiado Humano - NIETZSCHE)
Faço uso do texto de Nietzsche apenas como pano de fundo de um despejar de palavras ainda mal tratadas, pois, é a partir desse Aforismo que visualizo a necessidade um possível desencanto. Ditando a beleza perigosa, o autor faz menção de termos que caracterizam um encantamento ( não só a beleza física, mas a intelectual também), como o inebriar de um sonho e as ânsias que nascem da idealização.
O preocupante do encantamento é a falsa imagem e esperanças que trás aos sentidos, como a embriaguez, confunde a mente com ilusões e alterações sensoriais; Que exagero, diriam! Caro ingênuo, lhe previno, o encanto pode ser mais constrangedor do que qualquer desfrutar dionisíaco. Não há honestidade no olhar que se lança para o objeto do encantamento, espera-se demais, desenha-se demais, com cores e em papéis imaginários.
Contudo, me questiono, apenas para reforçar a mediocridade do meu texto, que responsabilidade tem o objeto do encantamento? Oras, é necessário avisar ao Tolo encantado que tudo não passa de belas miragens. Pode acontecer que aproximando-se do encantamento, esse mesmo Tolo, não receba flores, olhares, ou qualquer retribuição por tanto encanto; Que sorte a dele! Descobri que somente a frustração seguida da decepção são capazes de acordar o Tolo para a realidade sem encantamento, uma possível salvação do ridículo!
Desencante-se!

domingo, 13 de janeiro de 2013

Monólogo com Laís




Para Laís Squizzato., um e-mail jamais respondido, por isso tido como um monólogo.

Doce amiga, não é que Fernando Pessoa concordava com você sobre o amor, veja:


Imagem: "Você é quem você é" (Karina M.S)
" Nunca amamos alguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um
conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos.
Isto é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso por
intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso
dado por intermédio de uma ideia nossa. O onanista é objecto, mas, em exata verdade, o
onanista é a perfeita expressão lógica do amoroso. É o único que não disfarça nem se engana.
As relações entre uma alma e outra, através de coisas tão incertas e divergentes como as
palavras comuns e os gestos que se empreendem, são matéria de estranha complexidade. No
próprio ato em que nos conhecemos, nos desconhecemos. Dizem os dois «amo-te» ou pensam
e sentem-no por troca, e cada um quer dizer uma ideia diferente, uma vida diferente, até,
porventura, uma cor ou um aroma diferente, na soma abstrata de impressões que constitui a
atividade da alma." (Livro do Desassossego)

Observe, contudo que, ele, aparentemente e sumariamente, concordava com Aristóteles; ora, amor e amizade correspondem a uma atividade da Alma, no entanto, são somente impressões, nos amarramos novamente na ideia da solidão, nunca saberemos quem é essa outra alma que nos toca e como nos toca, são os limites dessa carcere (o corpo/ a vida). 

Pobre alma sou eu, acredito no amor e na amizade!

Amo-te, amiga!