quarta-feira, 18 de junho de 2025

ELA.

Olhos de amor, 

serenos e encantadores,

Cheiro de bem querer, 
o gosto de morangos maduros,
o frescor dos ventos de outono,

Braços de abraços infinitos,
a força que acolhe um coração doído,
a esperança de quem decidiu viver,

Ela, 
carrega em seus olhos,
em seu corpo, 
em sua mente,

vidas, cicatrizes, a beleza de ser única, 
de ter vivido tanto em pouco anos,
de ter sido imensamente amada por Helena, por Mãe, Marias, meninas.

Ela é o fruto de mãos que cuidam, zelam, amam,
é também a força de sobreviver, esperar, respirar,
é a certeza que o ontem nunca mais definirá o amanhã.

ELA é o presente!

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Dance com o presente


Não é de hoje, me vejo um tanto quanto pretensiosa com as palavras ditas, prefiro escrever.  

Nas letras deitas (assim chamo a minha escrita), escorrego menos na audácia constrangedora.

Sobre as palavras, me enganam as vezes, porque na força delas há muita ilusão, muitas promessas.

Mas, não são as palavras o ambiente correto de tratarmos algo que não está delimitado por normas humanas.

Pensava muito sobre isso e lembrei que a minha máxima é:


Do amor não se diz nada, no amor se faz tudo


Verbo intransitivo, casuístico, revestido de poder. 

Como amar? Como ver o outro e o revestir de poder?

Não há forma certa de amar, contudo, tem que ter uma forma.

Percebe?

O amor exige braços, olhos, movimento.  O amor te faz querer e realizar.


No entanto, desculpe as delongas. 

Meu objetivo aqui é mais pontual, quero falar da vida e consequentemente amar nesse pensamento.  

Eu  me perco em antecedências mórbidas.  

Isso é horrível, mais que ninguém, sei disso. 

Mas, há benefícios.

Como o de pensar que tudo de bom que podemos fazer por nós e pelos outros deve ser feito: 


A vida é um sopro,

um pequeno trilho,

o soar de um sino,

um orgasmo pequeno e intenso.

A vida nos corre, e nos leva.


Por isso, se há uma forma de dizer "eu te amo" , eu digo assim:


Viva, viva sua máxima sabedoria, seus dons, suas artes. 

Não sonhe com o que acontecerá, 

não seja saudosa do que foi, esprema ao máximo seu fôlego, 

sua sorte de hoje.


Viva e seja a sua maior intensidade no agora.


DANCE com o presente!


Tratado sobre o reencontro ou o primeiro texto sobre o Amor!


Perdi o Amor!

Calma, não foi hoje, já faz algum tempo.

Na verdade, ele foi se dissipando por um longo caminho.

Na verdade, ele foi caindo nas vivências brutas e eu não percebi.

Quando me dei conta, que surpresa, que vazio, onde está o Amor?

Olhei para todos, mas não o encontrei.

Na verdade, olhei para trás e o vi derramado em uma estrada longínqua.

Alguém poderia me ajudar a encontrar o amor?

Silêncio, frio, solidão.


Encontrei o amor!

Calma, não foi agora, já faz alguns momentos.

Na verdade, ele não tinha ido a lugar algum.

Na verdade, eu tinha me esquecido dele.

Quando me deram conta, o amor estava dentro das minhas lembranças.

O amor estava em uma casinha de madeira: pé de manjericão, forno a lenha,

frutas maduras, quintal cheio de flores, o amor morava ali.


O amor estava em um lago que refletia dourado, entre árvores que amam o

vento.

O amor estava na história interrompida, no último adeus, nos olhos que não

queriam se desvencilhar.

O amor estava na ausência, na esperança de um encontro com o acaso.

O amor estava no suspiro de um sonho irrealizável.


Reencontrei o amor!

Na verdade, ele está aqui agora.

Na verdade, agora o conheço realmente.

Quando fui atravessada pela consciência de que o amor é:

São olhos de iluminar

São mãos que acalentam


São pés que caminham para fazer o máximo bem

O amor é um diálogo, que começou:

faz algum tempo,

faz alguns momentos,

faz algumas conversas,

faz muitos sorrisos,

faz muitos olhares,

faz alguns abraços,


O amor é uma senhora octogenária, com um belo e charmoso coque, que me

encontrou no silêncio, no frio e na solidão, que passou por mim e me convidou

para sentar em sua varanda com duas cadeiras.



segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Árvore.

árvore muda, tem seu canto. 

 Esconde com seu manto o desabrochar do encanto. 

Fecha os olhos com respeito e guarda o doce encontro de quem,

 em seu seios, encosta a alma e coração. 

De quem não aguentando mais, aceita mudar, parar o tempo,  

só para devagar,  embaixo da árvore ficar,  

se enamorar.

segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Rua Carlos Gomes, 359


Uma rua em Londrina/PR, uma casa, um cheiro muito peculiar.
Entro, sento, escuto sons que me agradam.
Na mesa, vários livros distribuídos, todos interessantes, mas sempre carrego o meu.


A porta fechada indica que ainda não chegou “o momento”.

O som de passos se aproximando faz meus olhos abrirem junto com a porta.

Uma casa, um cheiro peculiar, olhos e ouvidos atentos.


O coração acelerado, a mente correndo para se explicar, aqui fora um silêncio.

Leva um tempo para que seja assimilado o poder do silêncio,

Leva um tempo para que a casa com cheiro peculiar ouça tudo que a mente quer esconder.


Na garganta um imenso nós, “onde já se viu chorar assim?”

A casa com cheiro peculiar conhece o som do choro, a gota de lágrima que rola, o peso dos infinitos mergulhos no “momento”.


O silêncio.
O respiro profundo.

O mergulho profundo.
O momento.


Uma casa com um cheiro peculiar, lugar que acolhe dores, lágrimas, declarações, nós, conversas, nomes, passados, crianças, adultos, feridos, rendidos, renascidos.


Ei, casa na Rua Carlos Gomes, 359!

Hoje, entrei, deitei, respirei seu cheiro peculiar, deitei olhando para um céu azul, mais azul que o azul dos olhos atentos.

Hoje, depois de um grande silêncio e muitas palavras, eu senti Paz.



Ei, casa na Rua Carlos Gomes, 359, Obrigada!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

ELA

Desenho: Karina M.
Ela carregava a loucura nos olhos,
Como quem odeia existir,
Como quem ama consumir.

Ela carregava a maldade na pele,
Como quem sempre sabe onde machucar,
Como já sabendo quem destruir.

Ela carregava a frieza nas mãos,
Na alma,
No coração,
Mas, não entre as pernas.

Ela carregava vidas,
Acabadas
Mal vividas
Enganadas.

Ela mentia,
Não vivia,
... Se escondia
Entre o existir e o ...
Ela não sabia amar!


18/02/2016.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Sabina

Há algum tempo, digo anos, uma célebre amiga me instigava a ler o livro “A Insustentável Leveza do Ser” de Milan Kundera. Na época, não disse claramente, mas desprezei essa leitura; Como poderia colocar esse “livretinho” na fila das minhas grandes Obras sobre o amor?
Impressionante como o tempo nos faz completos idiotas, aqui estou pronta para tecer louvores a Grande Obra de Kundera. Longe de ser um resumo/resenha/explicação/apontamento, enfim, qualquer coisa literária chata, tenho como objetivo mostrar meu encantamento pelo tipo Sabina. Logo, não direi nada a respeito do Livro, a não ser o que tange a incrível personagem Sabina. Portanto, caso o leitor imaginário não conheça o “Livretinho”, nem se atreva a prosseguir na leitura, não entenderá meu fascínio, principalmente porque não serei didática e muito menos obvia, será necessário se ater as entrelinhas.
Leitor, conheci Sabina entre um grande furacão e logo a quis, meus olhos vidraram tanto em suas falas, gestos e modos de ser, que me perdi na história. Em principio, era eu a Leitora (sábia) que se colocava soberana, interpretando os desenrolares da personagem, ledo engano, mal a conheci, mal a vi e já não pude conduzir a história, lá estava ela me segurando nas mãos e coordenando (quiçá manipulando) cada sensação que cabia a mim. Confesso, Sabina me dominou, tirou de cena todos os outros personagens, os tornou coadjuvantes.
Claro que poderão perguntar: Quem é Sabina? Que mulher é essa que causa tanta dependência? 
Caros leitores, ainda me surpreendo com a perspicácia que possuem sobre as minhas letras, Sabina é exatamente isso, dependência, e por serem tão observadores, serei mais clara e direi quem é Sabina: Uma personagem de Kundera que não se mostra facilmente, alias, se esconde e engana. Uma mulherzinha dissimulada e fria que age calculadamente e finge amar, gostar e porque não dizer, gozar. Sabina é, em suma, o próprio ego em sua fascinante maximização, o desapego do mundo, o apego a si. Sabina se conhece tanto que acaba por erguer uma muralha; quanto às quiseram? Todos que a conheceram, quantos realmente as tiverem? Nenhum. Sabina não pertence, escorrega entre os dedos, foge do amor, da paixão e de tudo que a sonde bem de perto.
Encanto é o seu nome. Encanto tem olhos de causar furacão, cabelos de se pausar o vento, tem mãos de se tocar de leve, voz de manhãs mal dormidas. Encanto é o desejo de amar, a expectativa do que poderia ser - Grande redundância, encanto é quase um desencanto.
Antecipe-se e julgue meu comportamento, eu permito. Porém, espere! Encanto é como eu frente a você, leitor– Ora fria, ora quente, ora deusa, ora pagã, ora amiga, ora desconhecida. Que frustração, meu caro. Oh sensação do inacabado, temor do desejo irrealizado, dos sonhos, dos contos de fadas e bruxas.
Ante uma morte prevista e certa eu diria, ou confessaria: Me de sua alma fria, esses olhos perturbadores... Direi aqui o que jamais diria a ela:

Escorrega-me,
Parte-me em dezenas.
No entanto, não há morte, há somente vida, que pesar. Antes morta do que confessar, esse inconfesso encantamento.

Suspiro e sonho, fosse possível encontrar Sabina personificada, teria eu, algumas palavras a dizer, que com face ruborizada, compartilho com os curiosos:

Oh,Sabina!

Seus olhos intensos grudaram em minha alma,
Você é a palavra não dita, mas sentida
A expectativa de um encontro
A dor, o escombro do sentir,
O Abandono
O Medo do Fim
Sabina,
És a noite mais escura
O dia mais azul


Sabina, te possuir é o mesmo que enlouquecer , se jogar de um penhasco. O meu desejo, o meu “bem te quero” é proporcional ao medo que tenho dos abismos.

Doce Inverno de 2015.