quarta-feira, 17 de junho de 2015

Sabina

Há algum tempo, digo anos, uma célebre amiga me instigava a ler o livro “A Insustentável Leveza do Ser” de Milan Kundera. Na época, não disse claramente, mas desprezei essa leitura; Como poderia colocar esse “livretinho” na fila das minhas grandes Obras sobre o amor?
Impressionante como o tempo nos faz completos idiotas, aqui estou pronta para tecer louvores a Grande Obra de Kundera. Longe de ser um resumo/resenha/explicação/apontamento, enfim, qualquer coisa literária chata, tenho como objetivo mostrar meu encantamento pelo tipo Sabina. Logo, não direi nada a respeito do Livro, a não ser o que tange a incrível personagem Sabina. Portanto, caso o leitor imaginário não conheça o “Livretinho”, nem se atreva a prosseguir na leitura, não entenderá meu fascínio, principalmente porque não serei didática e muito menos obvia, será necessário se ater as entrelinhas.
Leitor, conheci Sabina entre um grande furacão e logo a quis, meus olhos vidraram tanto em suas falas, gestos e modos de ser, que me perdi na história. Em principio, era eu a Leitora (sábia) que se colocava soberana, interpretando os desenrolares da personagem, ledo engano, mal a conheci, mal a vi e já não pude conduzir a história, lá estava ela me segurando nas mãos e coordenando (quiçá manipulando) cada sensação que cabia a mim. Confesso, Sabina me dominou, tirou de cena todos os outros personagens, os tornou coadjuvantes.
Claro que poderão perguntar: Quem é Sabina? Que mulher é essa que causa tanta dependência? 
Caros leitores, ainda me surpreendo com a perspicácia que possuem sobre as minhas letras, Sabina é exatamente isso, dependência, e por serem tão observadores, serei mais clara e direi quem é Sabina: Uma personagem de Kundera que não se mostra facilmente, alias, se esconde e engana. Uma mulherzinha dissimulada e fria que age calculadamente e finge amar, gostar e porque não dizer, gozar. Sabina é, em suma, o próprio ego em sua fascinante maximização, o desapego do mundo, o apego a si. Sabina se conhece tanto que acaba por erguer uma muralha; quanto às quiseram? Todos que a conheceram, quantos realmente as tiverem? Nenhum. Sabina não pertence, escorrega entre os dedos, foge do amor, da paixão e de tudo que a sonde bem de perto.
Encanto é o seu nome. Encanto tem olhos de causar furacão, cabelos de se pausar o vento, tem mãos de se tocar de leve, voz de manhãs mal dormidas. Encanto é o desejo de amar, a expectativa do que poderia ser - Grande redundância, encanto é quase um desencanto.
Antecipe-se e julgue meu comportamento, eu permito. Porém, espere! Encanto é como eu frente a você, leitor– Ora fria, ora quente, ora deusa, ora pagã, ora amiga, ora desconhecida. Que frustração, meu caro. Oh sensação do inacabado, temor do desejo irrealizado, dos sonhos, dos contos de fadas e bruxas.
Ante uma morte prevista e certa eu diria, ou confessaria: Me de sua alma fria, esses olhos perturbadores... Direi aqui o que jamais diria a ela:

Escorrega-me,
Parte-me em dezenas.
No entanto, não há morte, há somente vida, que pesar. Antes morta do que confessar, esse inconfesso encantamento.

Suspiro e sonho, fosse possível encontrar Sabina personificada, teria eu, algumas palavras a dizer, que com face ruborizada, compartilho com os curiosos:

Oh,Sabina!

Seus olhos intensos grudaram em minha alma,
Você é a palavra não dita, mas sentida
A expectativa de um encontro
A dor, o escombro do sentir,
O Abandono
O Medo do Fim
Sabina,
És a noite mais escura
O dia mais azul


Sabina, te possuir é o mesmo que enlouquecer , se jogar de um penhasco. O meu desejo, o meu “bem te quero” é proporcional ao medo que tenho dos abismos.

Doce Inverno de 2015.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

EnFaDo


Novamente e repetidamente estou EU aqui, afirmando, chorando, lamentando, me jogando nas lamúrias.
 Que enfado viver, que  pedante é a vida.

Estou assustada com o tempo que consegui fingir não sentir isso, acho que é culpa da sua distancia, quando aqui estás tudo é tão mais claro, a verdade deslavada beijada no rosto.

Laís, nunca serei como quem sorri com tudo, infelizmente, está na hora de andar em novidade de interior, ou seja, andar na morte.
Com amor e saudades
 
Carnaval de 2015