sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Dance com o presente


Não é de hoje, me vejo um tanto quanto pretensiosa com as palavras ditas, prefiro escrever.  

Nas letras deitas (assim chamo a minha escrita), escorrego menos na audácia constrangedora.

Sobre as palavras, me enganam as vezes, porque na força delas há muita ilusão, muitas promessas.

Mas, não são as palavras o ambiente correto de tratarmos algo que não está delimitado por normas humanas.

Pensava muito sobre isso e lembrei que a minha máxima é:


Do amor não se diz nada, no amor se faz tudo


Verbo intransitivo, casuístico, revestido de poder. 

Como amar? Como ver o outro e o revestir de poder?

Não há forma certa de amar, contudo, tem que ter uma forma.

Percebe?

O amor exige braços, olhos, movimento.  O amor te faz querer e realizar.


No entanto, desculpe as delongas. 

Meu objetivo aqui é mais pontual, quero falar da vida e consequentemente amar nesse pensamento.  

Eu  me perco em antecedências mórbidas.  

Isso é horrível, mais que ninguém, sei disso. 

Mas, há benefícios.

Como o de pensar que tudo de bom que podemos fazer por nós e pelos outros deve ser feito: 


A vida é um sopro,

um pequeno trilho,

o soar de um sino,

um orgasmo pequeno e intenso.

A vida nos corre, e nos leva.


Por isso, se há uma forma de dizer "eu te amo" , eu digo assim:


Viva, viva sua máxima sabedoria, seus dons, suas artes. 

Não sonhe com o que acontecerá, 

não seja saudosa do que foi, esprema ao máximo seu fôlego, 

sua sorte de hoje.


Viva e seja a sua maior intensidade no agora.


DANCE com o presente!


Tratado sobre o reencontro ou o primeiro texto sobre o Amor!


Perdi o Amor!

Calma, não foi hoje, já faz algum tempo.

Na verdade, ele foi se dissipando por um longo caminho.

Na verdade, ele foi caindo nas vivências brutas e eu não percebi.

Quando me dei conta, que surpresa, que vazio, onde está o Amor?

Olhei para todos, mas não o encontrei.

Na verdade, olhei para trás e o vi derramado em uma estrada longínqua.

Alguém poderia me ajudar a encontrar o amor?

Silêncio, frio, solidão.


Encontrei o amor!

Calma, não foi agora, já faz alguns momentos.

Na verdade, ele não tinha ido a lugar algum.

Na verdade, eu tinha me esquecido dele.

Quando me deram conta, o amor estava dentro das minhas lembranças.

O amor estava em uma casinha de madeira: pé de manjericão, forno a lenha,

frutas maduras, quintal cheio de flores, o amor morava ali.


O amor estava em um lago que refletia dourado, entre árvores que amam o

vento.

O amor estava na história interrompida, no último adeus, nos olhos que não

queriam se desvencilhar.

O amor estava na ausência, na esperança de um encontro com o acaso.

O amor estava no suspiro de um sonho irrealizável.


Reencontrei o amor!

Na verdade, ele está aqui agora.

Na verdade, agora o conheço realmente.

Quando fui atravessada pela consciência de que o amor é:

São olhos de iluminar

São mãos que acalentam


São pés que caminham para fazer o máximo bem

O amor é um diálogo, que começou:

faz algum tempo,

faz alguns momentos,

faz algumas conversas,

faz muitos sorrisos,

faz muitos olhares,

faz alguns abraços,


O amor é uma senhora octogenária, com um belo e charmoso coque, que me

encontrou no silêncio, no frio e na solidão, que passou por mim e me convidou

para sentar em sua varanda com duas cadeiras.