terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sobre o Encanto e a Admiração

http://cargocollective.com/dayanericci
Imagem: Dayane Ricci

" (…) Quanto tempo a gente leva para repousar os olhos nas pessoas ao nosso redor? E ir deslizando pelos pequenos detalhes, na beleza não manifesta e, ao mesmo tempo, ofuscante? Quanto tempo a gente leva para repousar os olhos nos olhos do outro, sem qualquer pressa, sem procurar ali dentro o próprio reflexo? (...)”.  (Rita Apoena)

Em resposta a um belo texto de uma bela artista...


Imagino que devam existir centenas de pessoas incríveis e interessantes no mundo e segundo a própria Rita, não há nada mais arrebatador do que o encontro entre duas pessoas. Isso me intriga de uma forma, porque olhamos para alguns e esses nos atraem tanto, como um novo mundo a ser descoberto? Lembro a citação, há tanta beleza não manifesta - ofuscante, por que teimamos em sermos precipitados, subestimar as pessoas ao nosso redor? Afirmo sumariamente que, a admiração só nasce depois de conhecermos algo; mas é o encanto, a curiosidade que desperta o desejo de conhecer (impressionante como isso tem haver com filosofia e arte) – eu vejo, eu sinto, eu me encanto, eu “desejo curioso”, enfim, eu admiro. Maldita necessidade, ainda me pergunto desesperadamente, eu sei o porquê admiro, porque conheço e me agrado, no entanto, me de pistas – o que move o encanto, o que move o olhar? O que não move o olhar, o que não encanta e o que não interessa? Parece que não sabemos e nem buscamos saber, há tanta beleza escondida ao nosso redor, mas não nos cativa – algumas pessoas não nos movem ao encanto!

Tudo isso para lhe agradecer, você despertou o encanto em meus olhos e eu não sei o motivo. Mesmo antes de desvendar essa beleza que vejo agora, já me sentia grata, devedora de algo; tudo isso já era o prelúdio de uma admiração. Eu a admiro artisticamente, intelectualmente e principalmente, literariamente (desculpe o exagero). Mais uma vez, obrigada por permitir esse encontro, essa contemplação – sim, repousar os olhos em outra pessoa, na mente e nas ideias é uma contemplação, a meu ver. Poucos se dão a esse prazer, de gastar momentos para se anular e reconhecer a beleza ao redor; desvendar os mistérios de outro ser (disposto a isso é claro) é a minha “anestesia momentânea”. Como isso não poderia ser inspirador? Que sorte a minha ter te conhecido
A literatura é sim, concordo inteiramente com você, um tipo de delicia – das mais saborosas e raras. A palavra tem o poder de desenhar o vazio, espremer as ideias e sentimentos em conceitos, amarrar o mundo em suas linhas. A partir disso, por favor, permita-me ser cansativa (prometo tentar não ser nas outras vezes); Li e reli seu texto umas dez vezes e em todas essas vezes me senti em transe, você é inteligente e sensível, por favor releia o seu texto, lhe dou 5 minutos para isso...
Pronto?
Posso continuar?
 ... Prosseguindo...
Conseguiu identificar arte em seu texto? Se sim, é isso, tu és uma artista incrível; Se não, o Bigode estava certo no maldito “Nascimento da Tragédia”, aqueles que produzem arte não a alcançam. As palavras já se dobraram ante o seu pensamento, já se colocam a disposição, não seja egoísta, conte a tortura do mundo com as suas servas; engraçado, onde você vê fracasso, vazio e ódio, eu vejo uma fila. Fila? Sim, uma fila de letras, frases, histórias, metáforas e afirmações; O que fazem elas em fila? Não sabe? Brigam e se produzem, querendo aparecer umas mais que as outras. E por quê? Não sabe? Eu lhe digo, aguardam teu despertar, doce, Giovanna, anseiam por serem usadas por você, são todas sonhadoras, sonham em ser a expressão literária de uma alma profunda e bela, sonham em deixar de ser potencia, para ser ato de uma grande artista. Não as deixe esperando!

Desculpe o “literal exagero cansativo” de minhas palavras, é que comigo, as palavras são desajeitadas, as uso como pano de chão, só para limpar a mente e mais nada. Como resposta elas agem como trabalhadoras assalariadas, só trabalham o previsto em contrato e não esperam nada de mim e nem eu delas!

Abraço, doce Giovanna!


18/12/2012.


domingo, 25 de novembro de 2012

O MISTÉRIO DO AMOR




"(...) Eu não tenho filosofia, tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama, nem porque ama, nem o que é amar...
Amar é a eterna inocência, e a única inocência é não pensar...(Fernando Pessoa).


Lendo o livro Poemas Completos de Alberto Caeiro de autoria de Fernado Pessoa, me deparei com esse fragmento citado à cima. Eu ganhei esse livro de uma grande, a maior amiga, que entendendo a devoção que tenho pelas relações humanas, soube trazer uma leitura que enriqueceria minhas conjecturas a respeito do amor.
Por isso, não me surpreendi tanto com essa passagem, já esperava que o livro trouxesse tão sublime exposição sobre o amor.
A primeira coisa que me intriga nesse fragmento: “eu não tenho filosofia, tenho sentidos”, isso é quase um doce para o meu paladar intelectual. Pessoa apresenta uma defesa do que ele compreende por amor, e quando diz que não tem filosofia, mas sentido, logo me vem à defesa de um amor que não é palpável de explicação, ou seja, não há ideia de amor, há sentir o amor.
Será esse o grande mistério do amor? Não ter explicação? Ele prossegue afirmando que fala do que não entende, isso é fantástico, se não há filosofia é claro que há ausência de explicação, portanto, ele diz a respeito do que ele sente e não daquilo que ele entende.
Talvez o amor faça parte dos tipos de coisas unilaterais, ou seja, coisas que só entendemos individualmente e unilateralmente, porque a sentimos e não há como explica-la e nem caracteriza-la no sentido Universal.
Defendo, sumariamente, que o amor, assim como Deus, está no âmbito dos mistérios, um tipo de mistério que se esconde da razão, alias quando essa tenta define-los (Deus e o amor), eles se escondem e apenas afirmam, “não é por essa via que vocês irão me alcançar”, o amor é unilateral, Deus é unilateral. Eu não posso dizer nada sobre eles, mas com certeza, os sinto (...) CONTINUA!

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Platão: Educação como Alavanca do Estado



Platão foi um filósofo grego da antiguidade que redigiu varias obras de suma importância para toda a filosofia, entre elas está uma de suas obras mais significativas – A República; nela o Filósofo busca traçar um caminho para um Estado perfeito, para tanto, coloca a Educação como indispensável nesse projeto.
Portanto, tentaremos através desse pequeno ensaio teórico demonstrar que a Educação em Platão possui um cunho modelador, não só de almas, mas também da pólis. Com a intenção de se constituir, por meio do equilíbrio, homens e Governos justos, ou seja, perfeitos.


O que Platão nos diz na República sobre o Estado, como tal e sua estrutura tem a função de apresentar a imagem reflexiva ampliada da alma e da sua estrutura respectiva; Ou seja, o filósofo toma os Estados como estruturas semelhantes ao homem, assim como esse deve ter em equilíbrio suas partes constituintes, a pólis também. Portanto, para Platão, a alma é o protótipo do Estado (JAEGER, 2001 pag. 762). Com isso, podemos expor a importância da Educação em Platão no Livro a Republica. Pois “moldando” (tomo o termo moldar no sentindo que JAEGER usa, ou seja, a alma como um vaso que pode ser moldado pelas mãos de um oleiro, nesse caso, o oleiro é a educação) a alma, ou seja, educando a alma, educa-se o Estado.

Logo, a educação torna-se parte necessária desse projeto, pois a Educação é a responsável pelo formação dos homens e indiretamente pelos cidadãos da polis. Nesse ínterim, cidadãos perfeitos, Estado Perfeito.A educação, então, é entendida como modeladora. Modela a alma que proporcionará a formação de homens justos, equilibrados. Logo, esses homens “perfeitos” ocasionarão a estrutura semelhante de um Estado justo. (JAEGER, 2001 pag.751). É nesse ponto que a Educação é primazia em Platão, posto que, torna-se alavanca do Estado (JAEGER, 2001).

Logo, a investigação da Republica não deve ser compreendida apenas no âmbito político, mas, educacional. Posto que, esse livro configura-se como um importante referencial quando se trata de Educação. “Quereis ter uma idéia de educação pública, lede a República de Platão. Não se trata de uma obra de política, como pensam os que julgam os livros pelos títulos: é o mais belo tratado de educação que jamais de escreveu.” (Emílio, ou da Educação, pag. 14).

O filósofo argumenta que o problema da educação na sua época era a má compreensão da justiça pelos educadores, logo, dos jovens. Para ele a justiça tem que ser uma virtude intrínseca, em si mesma e não baseadas em leis oportunistas; ou seja, a criança ou o jovem educando teria que ser moldado a compreender a justiça a partir do equilíbrio de sua alma e não segundo leis exteriores – a justiça parte do homem para o Estado.
A respeito disso diz segue uma citação de Werner Wilhelm Jaeger:

 “A justiça tem de ser inerente à alma, a uma espécie de saúde espiritual do homem, cuja essência não se pode por em duvida, pois de outro modo seria apenas o reflexo das variáveis influencias exteriores do poder e dos partidos, como o é a lei escrita do Estado.” (JAEGER, 2001 pag. 761)

Platão parte da idéia que a essência e função da justiça na alma do homem são a mesma que no Estado, logo, ele acreditava que as partes da alma executando a sua própria tarefa definem a justiça, semelhante às partes do Estado desempenhado a sua função constituiria um Estado justo.

Logo, a educação desde a infância moldava cada aspecto da vida do individuo e cada método usado na educação foi explorado por, Platão a fim de impor a formação de um Estado justo. O que deveria ser lido, ouvido e praticado como atividade física. O filosofo pensou na alma de cada individuo na polis e definiu para esses quais seriam os caminhos que deveriam seguir, que autores, que tipo de musica e o que fariam os futuros guardiões, trabalhadores e principalmente os filósofos – que seriam os governantes.

 
“Esse princípio de acordo com o qual cada um tem de executar a sua própria tarefa está, para Platão, relacionado com a essência da justiça, a qual consiste na perfeição do conjunto e de cada uma das partes realizada por cada ser.” (JAEGER, 2001 pag. 763)


Um exemplo de como, Platão pensava no Estado a partir da educação das crianças está em Republica 337C onde ele critica os mitos e mentiras que se contavam para os estudantes. Segundo o filosofo, a palavra tinha o poder de moldar, por isso deveria analisada e polida antes de ser dita. Um exemplo são os mitos de Homero que, segundo o Platão, não eram apropriados para as crianças por contarem tragédias imitativas, ou seja, poesia seria a imitação da realidade que para Platão estaria muito longe do mundo ideal das idéias.

O que torna a analise dessa concepção platônica interessante é pensar que os resultados de uma educação seriam vislumbrados no Estado, ora, por isso ser a Educação uma alavanca. A importância que o filosofo da para o educar e como educar nos faz pensar que isso deveria ser mais pensado e colocado em pratica.

O questionamento de Platão e suas criticas constituíssem tão atuais justamente por apontarem uma deficiência de preocupação com os resultados que a educação tratará para o Estado, principalmente no âmbito moral, ou seja, quem serão, no sentido moral, as crianças que são educadas hoje? O pensamento platônico é merecido de louvores, pois, no seu plano de um Estado perfeito não esqueceu que esse é formado por homens, que necessariamente deveriam ser formados por uma educação que levasse em conta o futuro almejante de uma Pólis perfeita. 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Polêmicas de Platão - Preexistência da Alma




“(...)Aprender, diz ele, não é outra coisa se não recordar. Se esse argumento é de fato verdadeiro, não há dúvida que, numa época anterior, tenhamos aprendido de que no presente nos recordamos. Ora, tal não poderia acontecer se nossa alma não existisse em algum lugar antes de assumir, pela geração, a forma humana. Por conseguinte, ainda por esta razão é verossímil que a alma seja imortal.”  PLATÃO – FÉDON 72e – 73a