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| Imagem: Dayane Ricci |
" (…) Quanto tempo a gente leva para repousar os olhos nas pessoas ao
nosso redor? E ir deslizando pelos pequenos detalhes, na beleza não manifesta
e, ao mesmo tempo, ofuscante? Quanto tempo a gente leva para repousar os olhos
nos olhos do outro, sem qualquer pressa, sem procurar ali dentro o próprio
reflexo? (...)”. (Rita Apoena)
Em resposta a um belo texto de uma bela artista...
Imagino que devam existir centenas de pessoas
incríveis e interessantes no mundo e segundo a própria Rita, não há nada mais
arrebatador do que o encontro entre duas pessoas. Isso me intriga de uma forma,
porque olhamos para alguns e esses nos atraem tanto, como um novo mundo a ser
descoberto? Lembro a citação, há tanta beleza não manifesta - ofuscante, por que
teimamos em sermos precipitados, subestimar as pessoas ao nosso redor? Afirmo
sumariamente que, a admiração só nasce depois de conhecermos algo; mas é o
encanto, a curiosidade que desperta o desejo de conhecer (impressionante como
isso tem haver com filosofia e arte) – eu vejo, eu sinto, eu me encanto, eu
“desejo curioso”, enfim, eu admiro. Maldita necessidade, ainda me pergunto
desesperadamente, eu sei o porquê admiro, porque conheço e me agrado, no
entanto, me de pistas – o que move o encanto, o que move o olhar? O que não
move o olhar, o que não encanta e o que não interessa? Parece que não sabemos e
nem buscamos saber, há tanta beleza escondida ao nosso redor, mas não nos
cativa – algumas pessoas não nos movem ao encanto!
Tudo isso para lhe agradecer, você despertou o
encanto em meus olhos e eu não sei o motivo. Mesmo antes de desvendar essa
beleza que vejo agora, já me sentia grata, devedora de algo; tudo isso já era o
prelúdio de uma admiração. Eu a admiro artisticamente, intelectualmente e
principalmente, literariamente (desculpe o exagero). Mais uma vez, obrigada por
permitir esse encontro, essa contemplação – sim, repousar os olhos em outra
pessoa, na mente e nas ideias é uma contemplação, a meu ver. Poucos se dão a
esse prazer, de gastar momentos para se anular e reconhecer a beleza ao redor; desvendar
os mistérios de outro ser (disposto a isso é claro) é a minha “anestesia
momentânea”. Como isso não poderia ser inspirador? Que sorte a minha ter te
conhecido
A literatura é sim, concordo inteiramente com
você, um tipo de delicia – das mais saborosas e raras. A palavra tem o poder de
desenhar o vazio, espremer as ideias e sentimentos em conceitos, amarrar o
mundo em suas linhas. A partir disso, por favor, permita-me ser cansativa
(prometo tentar não ser nas outras vezes); Li e reli seu texto umas dez vezes e
em todas essas vezes me senti em transe, você é inteligente e sensível, por
favor releia o seu texto, lhe dou 5 minutos para isso...
Pronto?
Posso continuar?
...
Prosseguindo...
Conseguiu identificar arte em seu texto? Se
sim, é isso, tu és uma artista incrível; Se não, o Bigode estava certo no
maldito “Nascimento da Tragédia”, aqueles que produzem arte não a alcançam. As
palavras já se dobraram ante o seu pensamento, já se colocam a disposição, não
seja egoísta, conte a tortura do mundo com as suas servas; engraçado, onde você
vê fracasso, vazio e ódio, eu vejo uma fila. Fila? Sim, uma fila de letras,
frases, histórias, metáforas e afirmações; O que fazem elas em fila? Não sabe?
Brigam e se produzem, querendo aparecer umas mais que as outras. E por quê? Não
sabe? Eu lhe digo, aguardam teu despertar, doce, Giovanna, anseiam por serem
usadas por você, são todas sonhadoras, sonham em ser a expressão literária de uma
alma profunda e bela, sonham em deixar de ser potencia, para ser ato de uma
grande artista. Não as deixe esperando!
Desculpe o “literal exagero cansativo” de
minhas palavras, é que comigo, as palavras são desajeitadas, as uso como pano
de chão, só para limpar a mente e mais nada. Como resposta elas agem como
trabalhadoras assalariadas, só trabalham o previsto em contrato e não esperam
nada de mim e nem eu delas!
Abraço, doce Giovanna!



