Sempre quando escrevo fundamento minha literatura no título, ao contrário do que dita os manuais de técnicas de redação – “escreva o texto e depois crie um titulo”, imagino um titulo e logo depois o resto se desenrola na minha mente; No entanto, hoje não consegui idealizar um titulo para essa escrita e isso me deixou duplamente frustrada.
A primeira causa dessa frustração é o fato de que, apesar de passar vários títulos pela minha cabeça não há um que satisfaça com louvor a minha ambição de um texto criativo.
O segundo motivo frustrante é a deficiência do meu texto, porque um texto pode até não ter assinatura, porém, é necessário que tenha um titulo. Essa insuficiência me causa desamparo poético!
Por isso, leitores que lerão meu texto deficiente, perdoem essa falha; É que hoje acordei com uma “acataléptica fé” (gr akataleptikós), uma irrefutável magoa e porque não dizer – revolta. Contra quem?
Contra todos que julgam saber como se escreve um texto, poema ou livro. Será que essa arte é para ser explicada? Permita-me a expressão, o erro a até o abuso das palavras; E que Olavo Bilac, ilustre e honrado, tenha misericórdia dessas linhas mal escritas.
Pasmem leitores! Já consigo conceber uma “cabeça” para esses parágrafos de idéias soltas, após esse desabafo, meu escrito chamará: ”UM TEXTO SEM TÍTULO – as magoas de uma escrita deficiente”.
Agora que já encontrei o meu título, dispensarei a assinatura dessa autocrítica; Pois, já argumentei que a identificação da autoria não é necessária.
Não quero influenciar vocês leitores, a minha identificação vos levaria a conclusão de que o meu esteriótipo de “jovem-mulher-estudante” é o culpado pela falta de criatividade do meu texto e não é isso que queremos, não é?
Portanto, chegamos à grande ironia, o importante é O QUE se escreve e não QUEM escreve. Perdoem a Literariedade!
Inania Verba
(Olavo Bilac)
Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava,
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?
- Ardes, sangras, pregada a' tua cruz, e, em breve,
Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava...
O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:
A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve...
E a Palavra pesada abafa a Idéia leve,
Que, perfume e dano, refulgia e voava.
Quem o molde achará para a expressão de tudo?
Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?
E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?
E as palavras de fé que nunca foram ditas?
E as confissões de amor que morrem na garganta?
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?
- Ardes, sangras, pregada a' tua cruz, e, em breve,
Olhas, desfeito em lodo, o que te deslumbrava...
O Pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:
A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve...
E a Palavra pesada abafa a Idéia leve,
Que, perfume e dano, refulgia e voava.
Quem o molde achará para a expressão de tudo?
Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?
E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?
E as palavras de fé que nunca foram ditas?
E as confissões de amor que morrem na garganta?

Ok, seu texto pode não ter título nem assinatura, se vc assim o desejar, mas tem muita elegância, graça, poesia e criatividade sim. Não imaginava esse seu lado poético. Já me surpreendi com seus textos anteriores, e continuo me surpreendendo, ou como vc disse, pasmada... Parabéns e obrigada.
ResponderExcluirQuerida Eliza,
ResponderExcluirobrigada por sua amizade e palavras tão motivadoras!
Um abraço!
Greice Kelly