quarta-feira, 16 de março de 2011

Machado de Assis e Clarice Lispector

Hoje me deparei com um texto antigo, que escrevi no colegial. Não é um texto rebuscado e acadêmico, porém, demonstrava a singela admiração que tinha e tenho pelos incríveis, Machado de Assis e Clarice Lispector.
Esses dois símbolos da Literatura Brasileira foram às leituras de mais influencia no ensino médio para minha formação, a ponto de ler toda a obra de cada um deles e sempre citá-los em qualquer produção de texto que era me dada como tarefa.
Quero, portanto, apresentar um trecho de uma dessas produções para deixar registrado, a profunda admiração e devoção que tenho pela literatura brasileira e seus mestres, Machado de Assis e Clarice Lispector.
O texto em questão era sobre o amor e foi escrito no ano de 2007 em uma atividade de produção proposta pela professora de língua portuguesa:

“O amor tem sido alvo de muitas discussões, não há ninguém que nunca tenha se defrontado com esse assunto, é o sentimento mais discutido, lembrado e procurado.
Desde a antiguidade vemos o homem tentando fazer do amor o seu refugio. Vemos que as manifestações do amor mudaram durante os séculos, no entanto, esse sentimento continua perene. Para esclarecer podemos demonstrar ponto de vistas de dois escritores brasileiros que viveram em períodos distantes, mas se preocuparam em declarar o amor.
O século XIX trouxe a nova concepção de amor, onde a razão supera a idealização. Representada na literatura, por Machado de Assis e sua analise psicológica. O autor participou do Romantismo.Agora se encontra no Realismo, no entanto, não abandona o amor, apenas o trata com mais maturidade e faz de Carolina, sua esposa, o ideal de amor seguro.
Já o ano de 1945 se caracteriza pela esperança de paz firmada na ONU e na redemocratização do Brasil. A literatura vive momentos de introspecção com Clarice Lispector. A autora com toda a sua complexidade torna-se um ícone da literatura intimista, analisando sentimentos como o amor, revela em seus personagens que só ele pode dar sentido a sua vida; Um amor pós moderno, confuso e libertador.

Machado de Assis lidou com o amor de forma sóbria e intensa. E com certeza revelou em suas obras a idéia que tinha do amor.
Participante do Romantismo de maneira genérica, Machado de Assis não deixou a influencia do amor louco do século XVIII predominar em suas obras. Pelo contrario, adquiriu aptidões serenas e racionais de um cavaleiro romântico, porém, totalmente entregue ao Realismo do século XIX.
O amor que devotou por sua esposa, D. Carolina, durante 35 anos comprova minha tese. Um amor sereno e fiel, com marcas de um funcionário público que nas horas vagas dedicava-se a ser um escritor brilhante. A morte de Carolina em 1904 trouxe, alem do belo soneto Carolina, uma grande tristeza incurável para Machado.
Clarice Lispector não é a mulher mais fácil de entender, contudo, nos ajudou usando a palavra como veículo supremo de sua complexa expressão.
A Pós-Modernidade brasileira no meio literário foi marcada por tempos em que a paz e o amor eram pregados com ênfase. E artistas como Clarice se preocupavam em desmascarar esse sentimento, o analisando dentro de cada indivíduo.
Em seu livro "A Aprendizagem ou o Livros dos prazeres" a autora brinca com essa relação de desejos que vem emaranhado com o amor. Demonstrando as dependências e loucuras que envolvem esse sentimento.
Clarice Lispector foi uma autora maravilhosa que colocou o amor como uma salvação, o amor a palavra e a seus filhos. Mas principalmente, o amor, que segundo ela, garantia a existência - o amor ao próximo.
O que vemos em Machado de Assis e Clarice Lispector é a busca de uma resposta, um aperfeiçoamento por intermédio do amor. A relação entre essas duas épocas e esses dois autores é vista no fato de os dois terem a perspicácia na pesquisa do ser humano, usando a literatura como ponte de encontro com o seu próprio eu; Machado encontra isso em sua esposa Carolina e Clarice no amor ao próximo, prova que esse sentimento é poderoso para perdurar entre os séculos.

E essa não é uma busca só deles, mas uma atitude que já vem sendo cantada por muitos. Os tempos mudam, e a maneira de expressar também, porém o significado do amor parece ser contínuo ou quem sabe até - ETERNO!
MACHADO DE ASSIS


CLARICE LISPECTOR

2 comentários:

  1. Greice, primeiro parabéns pelo blog, ele é criativo e muito bem escrito.

    Seu texto me fez lembrar o quanto Machado e Clarice, principalmente ela contribuiram para despertar meu amor adormecido até então pela literatura. Ate hoje me refugio nas palavras de Clarice.

    Adorei o texto.

    Bjns

    Gra

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  2. Gra,

    obrigada por suas palavras e contribuição.
    A experiencia de ler esses dois genios da literatura brasileira é sem duvida inesquecível.
    Esse texto que postei é bem antigo, dos tempos da escola, no entanto, mostra a fase que Clarice e Machado invadiram minha mente.

    Volte sempre.

    Abraço!

    Greice keLLY.

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