sábado, 19 de janeiro de 2013

Sobre um possível desencanto

Créditos: Camila do Rosário
" A Lenta Flecha da beleza - A mais nobre espécie de beleza é aquela que não arrebata de vez, que não se vale de assaltos tempestuosos e embriagantes (uma beleza assim desperta facilmente o nojo), mas que lentamente se infiltra, que levamos conosco quase sem perceber e deparamos novamente num sonho, e que afinal, após ter longamente ocupado um lugar modesto em nosso coração, se apodera completamente de nós, enchendo-nos os olhos de lágrimas e o coração de ânsias. - O que ansiamos ao ver a beleza? Ser belos: imaginamos que haveria muita felicidade ligado a isso. - Mas isto é um erro. (Aforismo 149 de Humano Demasiado Humano - NIETZSCHE)
Faço uso do texto de Nietzsche apenas como pano de fundo de um despejar de palavras ainda mal tratadas, pois, é a partir desse Aforismo que visualizo a necessidade um possível desencanto. Ditando a beleza perigosa, o autor faz menção de termos que caracterizam um encantamento ( não só a beleza física, mas a intelectual também), como o inebriar de um sonho e as ânsias que nascem da idealização.
O preocupante do encantamento é a falsa imagem e esperanças que trás aos sentidos, como a embriaguez, confunde a mente com ilusões e alterações sensoriais; Que exagero, diriam! Caro ingênuo, lhe previno, o encanto pode ser mais constrangedor do que qualquer desfrutar dionisíaco. Não há honestidade no olhar que se lança para o objeto do encantamento, espera-se demais, desenha-se demais, com cores e em papéis imaginários.
Contudo, me questiono, apenas para reforçar a mediocridade do meu texto, que responsabilidade tem o objeto do encantamento? Oras, é necessário avisar ao Tolo encantado que tudo não passa de belas miragens. Pode acontecer que aproximando-se do encantamento, esse mesmo Tolo, não receba flores, olhares, ou qualquer retribuição por tanto encanto; Que sorte a dele! Descobri que somente a frustração seguida da decepção são capazes de acordar o Tolo para a realidade sem encantamento, uma possível salvação do ridículo!
Desencante-se!

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