Perdi o Amor!
Calma, não foi hoje, já faz algum tempo.
Na verdade, ele foi se dissipando por um longo caminho.
Na verdade, ele foi caindo nas vivências brutas e eu não percebi.
Quando me dei conta, que surpresa, que vazio, onde está o Amor?
Olhei para todos, mas não o encontrei.
Na verdade, olhei para trás e o vi derramado em uma estrada longínqua.
Alguém poderia me ajudar a encontrar o amor?
Silêncio, frio, solidão.
Encontrei o amor!
Calma, não foi agora, já faz alguns momentos.
Na verdade, ele não tinha ido a lugar algum.
Na verdade, eu tinha me esquecido dele.
Quando me deram conta, o amor estava dentro das minhas lembranças.
O amor estava em uma casinha de madeira: pé de manjericão, forno a lenha,
frutas maduras, quintal cheio de flores, o amor morava ali.
O amor estava em um lago que refletia dourado, entre árvores que amam o
vento.
O amor estava na história interrompida, no último adeus, nos olhos que não
queriam se desvencilhar.
O amor estava na ausência, na esperança de um encontro com o acaso.
O amor estava no suspiro de um sonho irrealizável.
Reencontrei o amor!
Na verdade, ele está aqui agora.
Na verdade, agora o conheço realmente.
Quando fui atravessada pela consciência de que o amor é:
São olhos de iluminar
São mãos que acalentam
São pés que caminham para fazer o máximo bem
O amor é um diálogo, que começou:
faz algum tempo,
faz alguns momentos,
faz algumas conversas,
faz muitos sorrisos,
faz muitos olhares,
faz alguns abraços,
O amor é uma senhora octogenária, com um belo e charmoso coque, que me
encontrou no silêncio, no frio e na solidão, que passou por mim e me convidou
para sentar em sua varanda com duas cadeiras.
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