Há algum tempo, digo anos, uma
célebre amiga me instigava a ler o livro “A Insustentável Leveza do Ser” de
Milan Kundera. Na época, não disse claramente, mas desprezei essa leitura; Como
poderia colocar esse “livretinho” na fila das minhas grandes Obras
sobre o amor?
Impressionante como o tempo nos faz
completos idiotas, aqui estou pronta para tecer louvores a Grande Obra de
Kundera. Longe de ser um resumo/resenha/explicação/apontamento, enfim, qualquer
coisa literária chata, tenho como objetivo mostrar meu encantamento pelo tipo Sabina. Logo, não direi nada a
respeito do Livro, a não ser o que tange a incrível personagem Sabina.
Portanto, caso o leitor imaginário não conheça o “Livretinho”, nem se
atreva a prosseguir na leitura, não entenderá meu fascínio, principalmente
porque não serei didática e muito menos obvia, será necessário se ater as
entrelinhas.
Leitor, conheci Sabina entre um
grande furacão e logo a quis, meus olhos vidraram tanto em suas falas, gestos e
modos de ser, que me perdi na história. Em principio, era eu a Leitora (sábia)
que se colocava soberana, interpretando os desenrolares da personagem, ledo
engano, mal a conheci, mal a vi e já não pude conduzir a história, lá
estava ela me segurando nas mãos e coordenando (quiçá manipulando) cada
sensação que cabia a mim. Confesso, Sabina me dominou, tirou de cena todos os
outros personagens, os tornou coadjuvantes.
Claro que poderão perguntar: Quem é
Sabina? Que mulher é essa que causa tanta dependência?
Caros leitores, ainda me surpreendo
com a perspicácia que possuem sobre as minhas letras, Sabina é exatamente isso,
dependência, e por serem tão observadores, serei mais clara e direi quem é
Sabina: Uma personagem de Kundera que
não se mostra facilmente, alias, se esconde e engana. Uma mulherzinha
dissimulada e fria que age calculadamente e finge amar, gostar e porque não
dizer, gozar. Sabina é, em suma, o próprio ego em sua fascinante maximização, o
desapego do mundo, o apego a si. Sabina se conhece tanto que acaba por erguer
uma muralha; quanto às quiseram? Todos que a conheceram, quantos realmente as
tiverem? Nenhum. Sabina não pertence, escorrega entre os dedos, foge do amor,
da paixão e de tudo que a sonde bem de perto.
Encanto é o seu nome. Encanto tem
olhos de causar furacão, cabelos de se pausar o vento, tem mãos de se tocar de
leve, voz de manhãs mal dormidas. Encanto é o desejo de amar, a expectativa do
que poderia ser - Grande redundância, encanto é quase um desencanto.
Antecipe-se e julgue meu
comportamento, eu permito. Porém, espere! Encanto é como eu frente a você,
leitor– Ora fria, ora quente, ora deusa, ora pagã, ora amiga, ora desconhecida.
Que frustração, meu caro. Oh sensação do inacabado, temor do desejo irrealizado,
dos sonhos, dos contos de fadas e bruxas.
Ante uma morte prevista e certa eu
diria, ou confessaria: Me de sua alma fria, esses olhos perturbadores... Direi
aqui o que jamais diria a ela:
Escorrega-me,
Parte-me em dezenas.
No entanto, não há morte, há somente
vida, que pesar. Antes morta do que confessar, esse inconfesso encantamento.
Suspiro e sonho, fosse possível
encontrar Sabina personificada, teria eu, algumas palavras a dizer, que com
face ruborizada, compartilho com os curiosos:
Oh,Sabina!
Seus olhos intensos grudaram em minha
alma,
Você é a palavra não dita, mas
sentida
A expectativa de um encontro
A dor, o escombro do sentir,
O Abandono
O Medo do Fim
Sabina,
És a noite mais escura
O dia mais azul
Sabina, te possuir é o mesmo que enlouquecer , se jogar de um penhasco. O meu desejo, o meu “bem te quero” é proporcional ao medo que
tenho dos abismos.
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