quarta-feira, 16 de maio de 2012

Platão: Educação como Alavanca do Estado



Platão foi um filósofo grego da antiguidade que redigiu varias obras de suma importância para toda a filosofia, entre elas está uma de suas obras mais significativas – A República; nela o Filósofo busca traçar um caminho para um Estado perfeito, para tanto, coloca a Educação como indispensável nesse projeto.
Portanto, tentaremos através desse pequeno ensaio teórico demonstrar que a Educação em Platão possui um cunho modelador, não só de almas, mas também da pólis. Com a intenção de se constituir, por meio do equilíbrio, homens e Governos justos, ou seja, perfeitos.


O que Platão nos diz na República sobre o Estado, como tal e sua estrutura tem a função de apresentar a imagem reflexiva ampliada da alma e da sua estrutura respectiva; Ou seja, o filósofo toma os Estados como estruturas semelhantes ao homem, assim como esse deve ter em equilíbrio suas partes constituintes, a pólis também. Portanto, para Platão, a alma é o protótipo do Estado (JAEGER, 2001 pag. 762). Com isso, podemos expor a importância da Educação em Platão no Livro a Republica. Pois “moldando” (tomo o termo moldar no sentindo que JAEGER usa, ou seja, a alma como um vaso que pode ser moldado pelas mãos de um oleiro, nesse caso, o oleiro é a educação) a alma, ou seja, educando a alma, educa-se o Estado.

Logo, a educação torna-se parte necessária desse projeto, pois a Educação é a responsável pelo formação dos homens e indiretamente pelos cidadãos da polis. Nesse ínterim, cidadãos perfeitos, Estado Perfeito.A educação, então, é entendida como modeladora. Modela a alma que proporcionará a formação de homens justos, equilibrados. Logo, esses homens “perfeitos” ocasionarão a estrutura semelhante de um Estado justo. (JAEGER, 2001 pag.751). É nesse ponto que a Educação é primazia em Platão, posto que, torna-se alavanca do Estado (JAEGER, 2001).

Logo, a investigação da Republica não deve ser compreendida apenas no âmbito político, mas, educacional. Posto que, esse livro configura-se como um importante referencial quando se trata de Educação. “Quereis ter uma idéia de educação pública, lede a República de Platão. Não se trata de uma obra de política, como pensam os que julgam os livros pelos títulos: é o mais belo tratado de educação que jamais de escreveu.” (Emílio, ou da Educação, pag. 14).

O filósofo argumenta que o problema da educação na sua época era a má compreensão da justiça pelos educadores, logo, dos jovens. Para ele a justiça tem que ser uma virtude intrínseca, em si mesma e não baseadas em leis oportunistas; ou seja, a criança ou o jovem educando teria que ser moldado a compreender a justiça a partir do equilíbrio de sua alma e não segundo leis exteriores – a justiça parte do homem para o Estado.
A respeito disso diz segue uma citação de Werner Wilhelm Jaeger:

 “A justiça tem de ser inerente à alma, a uma espécie de saúde espiritual do homem, cuja essência não se pode por em duvida, pois de outro modo seria apenas o reflexo das variáveis influencias exteriores do poder e dos partidos, como o é a lei escrita do Estado.” (JAEGER, 2001 pag. 761)

Platão parte da idéia que a essência e função da justiça na alma do homem são a mesma que no Estado, logo, ele acreditava que as partes da alma executando a sua própria tarefa definem a justiça, semelhante às partes do Estado desempenhado a sua função constituiria um Estado justo.

Logo, a educação desde a infância moldava cada aspecto da vida do individuo e cada método usado na educação foi explorado por, Platão a fim de impor a formação de um Estado justo. O que deveria ser lido, ouvido e praticado como atividade física. O filosofo pensou na alma de cada individuo na polis e definiu para esses quais seriam os caminhos que deveriam seguir, que autores, que tipo de musica e o que fariam os futuros guardiões, trabalhadores e principalmente os filósofos – que seriam os governantes.

 
“Esse princípio de acordo com o qual cada um tem de executar a sua própria tarefa está, para Platão, relacionado com a essência da justiça, a qual consiste na perfeição do conjunto e de cada uma das partes realizada por cada ser.” (JAEGER, 2001 pag. 763)


Um exemplo de como, Platão pensava no Estado a partir da educação das crianças está em Republica 337C onde ele critica os mitos e mentiras que se contavam para os estudantes. Segundo o filosofo, a palavra tinha o poder de moldar, por isso deveria analisada e polida antes de ser dita. Um exemplo são os mitos de Homero que, segundo o Platão, não eram apropriados para as crianças por contarem tragédias imitativas, ou seja, poesia seria a imitação da realidade que para Platão estaria muito longe do mundo ideal das idéias.

O que torna a analise dessa concepção platônica interessante é pensar que os resultados de uma educação seriam vislumbrados no Estado, ora, por isso ser a Educação uma alavanca. A importância que o filosofo da para o educar e como educar nos faz pensar que isso deveria ser mais pensado e colocado em pratica.

O questionamento de Platão e suas criticas constituíssem tão atuais justamente por apontarem uma deficiência de preocupação com os resultados que a educação tratará para o Estado, principalmente no âmbito moral, ou seja, quem serão, no sentido moral, as crianças que são educadas hoje? O pensamento platônico é merecido de louvores, pois, no seu plano de um Estado perfeito não esqueceu que esse é formado por homens, que necessariamente deveriam ser formados por uma educação que levasse em conta o futuro almejante de uma Pólis perfeita. 

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