"(...)
Eu não tenho filosofia, tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é, Mas porque a amo, e amo-a
por isso, Porque quem ama nunca sabe o que ama, nem porque ama, nem o que é
amar...
Amar é a eterna inocência, e a única inocência é não pensar...(Fernando
Pessoa).
Lendo
o livro Poemas Completos de Alberto
Caeiro de autoria de Fernado Pessoa, me deparei com esse fragmento citado à
cima. Eu ganhei esse livro de uma grande, a maior amiga, que entendendo a
devoção que tenho pelas relações humanas, soube trazer uma leitura que
enriqueceria minhas conjecturas a respeito do amor.
Por
isso, não me surpreendi tanto com essa passagem, já esperava que o livro
trouxesse tão sublime exposição sobre o amor.
A
primeira coisa que me intriga nesse fragmento: “eu não tenho filosofia, tenho
sentidos”, isso é quase um doce para o meu paladar intelectual. Pessoa apresenta uma defesa do que ele
compreende por amor, e quando diz que não tem filosofia, mas sentido, logo me
vem à defesa de um amor que não é palpável de explicação, ou seja, não há ideia
de amor, há sentir o amor.
Será
esse o grande mistério do amor? Não ter explicação? Ele prossegue afirmando que
fala do que não entende, isso é fantástico, se não há filosofia é claro que há ausência
de explicação, portanto, ele diz a respeito do que ele sente e não daquilo que
ele entende.
Talvez
o amor faça parte dos tipos de coisas unilaterais, ou seja, coisas que só
entendemos individualmente e unilateralmente, porque a sentimos e não há como
explica-la e nem caracteriza-la no sentido Universal.
Defendo,
sumariamente, que o amor, assim como Deus, está no âmbito dos mistérios, um
tipo de mistério que se esconde da razão, alias quando essa tenta define-los
(Deus e o amor), eles se escondem e apenas afirmam, “não é por essa via que vocês
irão me alcançar”, o amor é unilateral, Deus é unilateral. Eu não posso dizer
nada sobre eles, mas com certeza, os sinto (...) CONTINUA!

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