domingo, 17 de fevereiro de 2013

Nostálgica Fidelidade

Rita Apoena
" Mesmo quando o outro vai embora, a gente não vai. A gente fica e faz um jardim, qualquer coisa para ocupar o tempo, um banco de almofadas coloridas, e pede aos passarinhos não sujarem ali porque aquele é o banco do nosso amor, do nosso grande amigo. Para que ele saiba que, em qualquer tempo, em qualquer lugar, daqui a não sei quantos anos, ele pode simplesmente voltar, sem mais explicações, para olhar o céu de mãos dadas."(Rita Apoena)



É a lembrança, melhor dizendo, a memória que possibilita a Fidelidade; 
Se a dependência ficasse a cargo dos sentimentos, que falível seria qualquer relação.
 Contudo, o que fazer quando a memória impede o avançar?
 Ser fiel é também não se mover, é estar estático. 
Preso nas lembranças, preso em vivencias, não é ser fiel a alguém, é ser fiel ao passado, 
nesse caso, a momentos passados, a sentimentos passados. 
Deveria existir um instante que a memória reconhecesse sua hora de sair, 
de se ausentar;
 Então a razão rapidamente trataria de pisar no acelerador e te levar para o próximo...
... momento inesquecível
 e te tornar fiel a outra
 - outra lembrança!




Obs: Essa ideia da relação entre a Fidelidade e Memória pode ser encontrada no pensamento de Comte-Sponville, mais especificamente na obra Pequeno Tratado das Grandes Virtudes 

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